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PARA OS MUITOS QUE O JULGAM POUCO E LENTO
Pensei tanto, que talvez tenha retornado ao ponto de partida, quando nada mais fere e todos os caminhos apontam uma saída, algo justo e satisfatório a quem busca o seu ontem no amanhã que nunca chega; conquanto o hoje é o único momento que se mostra verdadeiro, mas também é o único que voeja.
Pensei bem, e meu saldo foi devedor; nunca deveria ter cruzado a linha de onde tantos outros tornaram sem algum temor; aquele não era meu solo, aquelas não eram minhas lutas, meu dever; que direitos tem um estrangeiro de mandar no lugar onde ele apenas escolheu viver?
Pensei tanto que saturei o tempo/espaço, e os astronautas pisaram em meus pensamentos quando deram o primeiro passo, acreditando que era a lua seu destino finalmente alcançado, e era apenas o meu universo colidindo com o deles em um qualquer ponto desse velho mundo já conhecido e tão cansado.
Pensei tanto, que nada mais faz sentido; será que sofro por um crime que não foi, por mim, cometido? Pobre de mim que, aos teus olhos, somo menos do que a divisão de dois átomos, que se chocam para formarem vidas que se julgam reis em seus destinos tão fátuos.
Pensei pouco ao lhes dar razão; talvez presencei a cena da vinda antes que convocassem todos à reunião; mas, sabe, nunca dantes houve tamanha certeza, de que nada foi realmente feito quando anunciaram as maiores das proezas.
Pensei bem e talvez volte a ser como era antes, talvez não... quem sabe o caminho que segue em linha reta, mas que vai em outra direção? Cumpra-se o todo, antes que sobrem apenas pó e cinzas de um tempo, que é o ontem de um hoje para os muitos que o julgam pouco e lento.
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